Curtiu o Blog?! Recomende aos seus amigos!! Apenas clique aqui!! ;)

Curtiu o Blog?! Clique aqui!! Compartilhe! ;)

sábado, 10 de setembro de 2011

O caminho da Jordânia ao Egito - Dia 57

Após uma noite inesquecível, nos preparamos logo cedo para sairmos o mais rápido dali para conseguir chegar no mesmo dia a Dahab, e sair da Jordânia, um país muito interessante e bonito, mas caríssimo! Acordamos daquele colchão na areia, dentro de uma tenda, tomamos um café árabe e subimos no jipe para voltarmos à entrada de Wadi Rum. Foi muito mais rápido voltar do que pra ir para o acampamento, não deu nem meia hora! A intenção era chegar à entrada de Wadi Rum, conseguir um ônibus barato bem na hora que chegássemos lá, para ir até Aqaba, e em Aqaba ir até o porto e na mesma hora conseguir um barco direto para Nuweiba no Egito, e de Nuweiba conseguir um ônibus ou táxi até Dahab, onde chegaríamos à noite. Obviamente este plano tinha menos de 1% de chance de dar completamente certo. E a probabilidade venceu.

Ainda no café da manhã, conversamos com o casal espanhol e soubemos que eles também estavam à caminho de Aqaba, então combinamos com eles de irmos juntos até lá. Chegando na entrada de Wadi Rum não encontramos ônibus, e nos ofereceram um táxi para ir até Aqaba, o dono da empresa que fez o acampamento nos recomendou o taxista, que era muito bem intencionado, cobrava o preço justo, nem mais nem menos, e gostava de ajudar turistas. Acreditamos e fomos os 4, dividindo assim o custo. E não tenho do que reclamar, realmente o taxista foi muito gentil, e ficou 15 dólares por cabeça, chegamos ainda pela manhã até Aqaba, ele deixou os espanhóis no centro da cidade e nos levou até a loja onde se compra os bilhetes para o ferry boat que nos levaria até o Egito. O problema era que o Ferry Boat rápido do dia já estava lotado, e eu não sabia quão caro era, pagaríamos quase 100 dólares cada um. A segunda opção era o barco que sairia durante a noite e chegaria de manhã em Nuweiba, o preço era 55 dólares por pessoa, aceitamos. Mas antes de aceitarmos, o taxista ainda nos sugeriu uma alternativa, pegar um táxi com ele até a fronteira com Israel, em Eillat pegar um táxi até a fronteira com o Egito, e no Egito pegar um ônibus que fosse diretamente para Dahab. Mas pensei nas complicações que podem ocorrer na fronteira com Israel, e preferi o barco, apesar de o taxista falar que chegaríamos antes e seria mais barato. De qualquer maneira economizaríamos no hotel, dormindo no barco, então compramos e o taxistas nos levou até uma pousada ao lado do Mar Vermelho, onde havia internet. Eu achei estranho a gente poder ficar lá, nas almofadas dele, perto da piscina, usando eletricidade e internet, sem pagar nada, mas o taxista disse que era assim, então tudo bem.

O dia estava nublado e chuvoso, uma pena, mas saímos passear pela orla do Mar Vermelho. Não havia comida, pois o lugar onde ficava a pousada era um pouco mais afastada, sem supermercados em volta e apenas restaurantes, que não seriam baratos. Andamos para a nossa esquerda, o leste, e logo já estávamos num lugar meio estranho, depois de um conjunto de hotéis. Depois disso ficamos sabendo que começava a fronteira militarizada com a Arábia Saudita, perto né? Praticamente uma quádrupla fronteira ali: Arábia Saudita, Jordânia, Israel e Egito. Depois nos disseram que foi sorte não continuarmos pro lado da Arábia, senão nos parariam e perguntariam o que nós queríamos por ali, qual era nossa intenção. Voltamos para a pousada e ficamos lá mais um tempo, afinal, tínhamos que perder o dia inteiro ali sem fazer nada, esperando nosso barco zarpar. Quando era início de noite, fui até o dono da pousada e perguntei a ele se precisaríamos pagar se quiséssemos tomar um banho por ali, ele ficou tão brabo, tão brabo, que foi feio. Falou: O que vocês pensam que eu sou? Uma casa de caridade? Por que vocês pensaram que iam ficar aqui sem pagar nada? Qual o seu problema? Eu só argumentei que o taxista tinha falado que era amigo dele e que poderíamos ficar ali durante o dia que não havia problema (tinha imaginado que seria a hospitalidade árabe). Mas né, eu sabia que ele tinha razão, na verdade não queria sair dali sem dar um centavo, meu plano era jantar por ali e pagar o preço alto dele, mas como ele gritou comigo eu não gostei e briguei com ele também, mesmo ele tendo razão só pegamos nossas mochilas, dei uns 10 Jordanian Pounds que valem uns 16 dólares, e fomos andando dali até o porto. O barco sairia por volta das 20h e já era 18h mesmo. Saimos andando pela orla, carregando aquelas mochilas pesadas, uma na frente e outra atrás, alguns poderiam achar perigoso andar numa estrada deserta quase no deserto numa fronteira assim pela noite, e provavelmente é mesmo, mas, quem iria pensar nisso? Haha. Durante o trajeto de cerca de 7Km até o porto várias pessoas passando de carro ofereciam carona em troca de algum dinheiro, e não aceitamos ninguém. Chegamos ao porto, e foi uma confusão, váááááários egípcios misturados com jordanianos, mas era mais egípcio, era uma bagunça, e um monte de saco como se tivessem trazendo mercadoria do Paraguai pro Brasil, uma sujeira, era feia a situação. E ninguem ali falava inglês para me explicar de onde sairia o barco, qual era o barco, se ele chegaria no horário ou não. O pior é que chovia. Depois de uma meia hora sentado entre eles, fui vasculhar o entorno pra ver se precisaria de alguma coisa. E, sorte que fiz isso.

Descobri um lugar onde eu deveria carimbar meu passaporte com saída da Jordânia, senão não entraria no ferry boat, a taxa para cada um foi de cerca de 15 dólares, para a saída. Eu estava bastante preocupado pois já passava das 20h e nada de barco nenhum, eu perguntava e ninguem sabia me responder, até que alguém me respondeu que o barco estava atrasado, entrei num prédio com lugares para espera, inclusive com algumas lojas de companhias que vendem passagens e fiquei por lá. Encontrei alguns turistas chineses perdidos então fiquei mais confortável. Quando eles saíssem nós sairíamos, por volta das 22h ouvi uma movimentação lá fora, era um monte de egípcio chegando fazendo o maior alvoroço lá, então logo descemos correndo para entrar no barco, e encontramos mais alguns turistas. Entre eles a Alba, uma jornalista espanhola, pegamos um ônibus para ir até o ferry, e quando estávamos na fila para verificarem as passagens e os passaportes, ela descobriu que precisava carimbar o passaporte dela e não o tinha feito. Quase entrou em desespero, aí um oficial foi com ela até o terminal novamente, entramos no navio, e quando o navio estava quase partindo ela chegou. Ficamos no saguão, arranjamos duas cadeiras perto de uma tomada e ficamos por ali, logo ela chegou e começamos a conversar. Ela elogiou que o meu espanhol era muito elaborado pra quem não falava espanhol, fiquei contente! Mas é que assim como quando eu vou para o Rio Grande do Sul, começo a falar gauchês, se começo a falar com espanhóis falo espanhol com o mesmo sotaque e termos linguísticos, tipo papagaio. Mas então, papo vai papo vem, e dormi sentado, foi uma noite um pouco longa e desconfortável, ainda mais em fim de viagem, você sente mais isso.

No outro dia de manhã chegamos a Nuweiba, e quando eu pensei que as coisas ficariam mais fáceis, não foi bem assim. A sorte é que estávamos com um sujeito meio turista meio guia, que já conhecia bem aquela região, ele foi conosco até o lugar onde pegaríamos o visto para o Egito (no porto de Nuweiba), e não tinha uma viva alma lá. Ficamos pelo menos uma meia hora, um grupo de uns 10 turistas perdidos, pois é claro que não tínhamos saído de nossos países com o visto, é muito mais fácil e rápido pagar na fronteira mesmo. Mas, se o cara estiver lá. Aí o policial ligou para o cara da imigração, que estava em casa dormindo, e depois de meia hora ele chegou. Até os bancos ali do porto para troca de moeda estavam fechados, chegaram depois também, isso que já era mais de 8h da manhã. 

Na espera conheci uma pessoa bastante especial, ele é britânico e veio da Inglaterra de bicicleta, através de toda a Europa, depois da Turquia, descendo por Síria e Jordânia DE BICICLETA. Ele já estava a uns 6 meses viajando, e a intenção dele era a de fazer todo o circuito em volta do Mediterrâneo, todo o norte da África, depois voltar à Europa pelo estreito de Gibraltar, e depois subir até a Inglaterra novamente, vai falar o que de um cara desses?

Pegamos nosso carimbo bonitinho do Egito, para quem quisesse ficar só na península do Sinai não precisaria de visto, mas para quem fosse para o resto do Egito era necessário, não sei a razão, mas como iríamos para o Cairo, pagamos uns 15 dólares por pessoa pelo visto. Depois fomos quase todos numa mini van-táxi até Dahab. O trajeto nos custou 8 dólares, pois era um táxi. Mas logo percebemos como era barato o Egito, um pouquinho sujo, mas muito barato!




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Wadi Rum - O deserto de Laurence das Arábias na Jordânia - Dia 56

E o dia da aventura chegou! Acordei, me equipei com o meu super-tênis de aventura da NorthFace que é ótimo  para escalar as coisas pois tem um solado com estilo de garras (lembra do Knukles amigo do Sonic?), minha costumeira calça bege levíssima, camiseta vermelha de algodão, o óculos de sol ideal para o deserto e o mais importante: o turbante jordaniano! Quando acordei, que era cedo, alguns turistas já estavam bem acordados prontos para sair, tomando o café da manhã. No meu quarto havia umas 12 pessoas dormindo, uns 8 deles incluindo eu e meu pai, fomos para o deserto. O café da manhã não foi tão reforçado, mas pelo menos existiu. O céu estava azul, o frio da manhã não incomodava, e enfim vesti minha mochila e entrei na van em direção ao deserto. Acredito que grande parte dos que se hospedam ali no Valentine Inn, em Wadi Musa, vão para o deserto de Wadi Rum, pois a propaganda para comprar o pacote no hostel é grande. Pagamos cerca de 60 dólares por pessoa pelo tour, transporte, acomodação e comida. Mas vale a pena. 

Chegamos a uma entrada que parecia de um parque nacional, passamos e lá dentro havia uma pequena cidade, parecia estar na beira do deserto, e estava. Ali vivem os beduínos, alguns com seus negócios próprios mas a maioria voltada para o turismo, grande parte deles vestia o mesmo turbante que eu, característico da Jordânia, vermelho e branco. Chegamos em uma casa, e lá já estavam uns 4 turistas, esperamos mais um pouco, havia lá uma holandesa no meio do pessoal árabe, achei estranho, depois descobri que ela trabalhava como voluntária para eles, era como uma experiência de vida para ela, viver no deserto com os beduínos.

Então esperamos mais um tempo e chegaram dois jipes que nos levariam para o passeio. Cada jipe com uns 6 turistas atrás, conosco estava uma japonesa, uma velhinha inglesa e um casal de espanhóis que vivem em Barcelona. Foi com eles que conversamos e passamos a maior parte do tempo. No caminho percebi que algumas pessoas em vez de fazer uma viagem de um dia de jipe faziam uma viagem de 3 dias com um camelo. É fatigante, como diria meu amigo fulano de tal. Imagino a dor na... bacia... do indivíduo que faz isso. Para quem não sabe andar a camelo é mais desgastante que andar a cavalo, é uma dor enorme para quem não está acostumado. Bom, boa sorte para eles, nós seguimos em frente.

Só então eu fiquei sabendo do roteiro da viagem, por onde passaríamos, então percebi que grande parte da jornada seria pelos pontos importantes para a vida daquele personagem histórico que tínhamos visto a história na noite anterior, Laurence das Arábias. O céu estava azul e lindo, a areia era vermelha, e deixávamos uma nuvem de poeira para trás enquanto passávamos ao lado de paredões impressionantes, e eu com uma vontade enorme de subí-los para ver a paisagem lá de cima. Olha essa foto, tem quatro pessoas ali escalando o paredão, clique na foto e tente achar, dica: olhe na rachadura.


Nossa primeira parada foi num lugar onde nos disseram que era onde ficava uma grande parada de camelos, chamavam de "A fonte de Laurence das Arábias". Na verdade tínhamos que perguntar ao motorista o que era aquilo pois não tínhamos um guia, e decidíamos o tempo gasto em cada lugar. Ótimo, eu gosto de ser meu próprio guia. Então paramos e não sabíamos quanto tempo ficaríamos ali, perguntamos e o motorista não soube dizer, então conversamos entre nós e falamos meia-hora. Aí pensei, o que vou ficar fazendo meia hora nesse lugar no meio do nada? Vi algumas pessoas tentando subir um pouquinho a montanha que ficava em frente, e não pensei duas vezes, coloquei meu super-tênis Knukles para trabalhar. Primeiro quis segui-los e ver até onde eles iriam, mas então eu os perdi no meio da subida, e continuei subindo, e subindo, e subindo, até que cheguei num lugar que parecia ser no meio da montanha, com um pouco de área horizontal, que dali para frente era totalmente vertical até o topo. E só então eu olhei em minha volta, e fiquei estonteado com a maravilha daquele lugar. Aos que ficaram lá embaixo sinto muito, não tiveram o mesmo privilégio que eu tive. Em minha visão o mundo se dividia em azul e vermelho, com as suas belas variações de tom. O céu impecável em minha frente, um pouco para a esquerda um paredão enorme, que percebi que era igual ao que eu estava, com uma divisão no meio, e dali pude ver a altura que eu estava. E um pouco mais a direita a imensidão do deserto sem fim, que se perdia no horizonte. Dali de cima era bonito ver o tamanho da árvore ao lado do jipe e das pessoas lá embaixo, precisava de um binóculos para ver bem. Agradeci e pedi às pedras que tirassem fotos bem bonitas para mim daquilo tudo, posicionei algumas vezes a câmera nas paredes daquela montanha que já havia testemunhado tantas histórias, e tirei algumas fotos como essas que seguem.



Quando eu olhei denovo lá para baixo, todo mundo subindo no jipe, e meu pai acenando para mim. Será que iam me abandonar no meio do deserto? Bom, na dúvida comecei a descer meio correndo, meio pulando de pedra em pedra, o fato é que descer foi 100% mais fácil do que subir, em pouco tempo estava lá no jipe. A velhinha do jipe já estava de cara feia comigo, pensando (não teve coragem de me falar, mas falou para os outros antes), que era falta de respeito eu andar por aí e não me importar com o grupo. Naquela hora fazia 25 minutos que ela tinha sugerido a todos uma parada de 30 minutos, eu não desrespeitei o combinado, mas tudo bem, o dia estava feliz!

Próxima parada: dunas vermelhas. Descemos do jipe, alguns turistas ingênuos foram de tênis e encheram os tênis de areia, já eu gosto de pôr o pé na areia, subi, desci, bem bonito em volta. Conheci uns americanos bem legais, uma família na verdade. Avó, pai, mãe, filho de uns 16 anos e filha de uns 14 anos, bem legais na verdade, queria ter passado mais tempo com eles, eram "super pra cima". Até quiseram que eu gritasse dali pra fazer eco no paredão da frente, como eles estavam fazendo. Dali pra frente encontrei eles em mais alguns pontos, mas depois, nunca mais os vi e quase certamente nunca mais os verei, coisas de viagem. A próxima parada também foi com eles, um paredão com escritos na pedra, desenhos de camelos. Seguem as fotos.

 A próxima parada foi num local de ruínas onde dizem ser as ruínas da casa onde viveu Laurence das Arábias. Não foi a melhor das paradas, mas com certeza foi importante. O calor da tarde no deserto já estava nos deixando com fome e sede. Portanto paramos em um local de sombra para lancharmos, cada um trouxe seu lanche, pois não sabíamos o que iríamos enfrentar no deserto, eu e meu pai tínhamos um poco de alguma bolacha, de alguma fruta, de alguma coca-cola, suprimento básico. Não éramos só nós no deserto, outros jipes passavam com turistas pra lá e pra cá, vi até uma Land Rover passando por lá, além dos camelos levando sofridos turistas e camelo aparentemente in natura, pastando alguma coisa no deserto. Foi legal ver uma manada de camelos soltos andando pelo deserto. 

A última parada do passeio foi num lugar curioso, o tempo gastou a pedra, e com a erosão foi formada uma ponte de pedra entre outras duas, e claro, eu subi lá pra testar se era firme! Foi a última vez que vi os americanos.


Enfim, o sol estava se escondendo e era hora de conhecer o nosso acampamento beduíno. Chegando lá, vi algumas tendas com cobertura preta, tendas longas com vários locais para dormir. Era ao lado de um pequeno morro, e de frente, ao longe, a um imponente paredão, vocês verão nas fotos. As próximas fotos, do acampamento vou colocar só no fim da postagem, me dá agonia ver tantas fotos separando os parágrafos, não sei por quê. Minha primeira dúvida ao chegar ao acampamento era: tem banheiro? E me responderam que sim, até com água quente, além de vaso sanitário! Eu acreditei. Chegamos lá e fomos recepcionados pelo dono da empresa de turismo (um beduíno chefe), e a holandesa, além de seus beduínos ajudantes. Havia uma barraca só para o chefe, e as outras eram tendas longas. Numa delas era a social, onde fizemos mais tarde o jantar, conhecemos os aposentos. Colchões feitos de pele de carneiro acredito, jogados por cima da areia, com um cobertor por cima, e travesseiro.  A cada três ou quatro camas havia uma divisória, então era como se fosse 4 camas por quarto. Ótimo! Eu amo dormir deitado na areia! Havia um elevadinho pra cada entrada de tenda, pelo perigo de entrar ali algum escorpião, ou cobra, ou bicho peçonhento do deserto. Mas é claro que ninguém pensou nisso na hora. Vasculhei as proximidades, não havia muita coisa além de areia e muita paisagem. Conheci os banheiros, a água não estava funcionando, não chegava lá, então o banheiro se tornou atrás do morro onde estávamos. Havia além de nós mais um grupo grande de italianos que faziam escaladas por ali. Quando o sol começou a se pôr, já me propus a andar até um local mais afastado, em que seria melhor o espetáculo do pôr do sol no deserto, e realmente foi, o casal espanhol foi conosco e compartilhou do momento, mas eu pensei que o espetáculo acabava por aí, mero engano. O céu começou a perder a luz do sol, e começou a se encher de outra luz, a luz da imensidão de estrelas. 

Isto merece um parágrafo particular. Foi uma das experiências mais fascinantes da minha vida toda, e olha que sou um cara viajado. O céu estava completamente tomado por estrelas, não havia um lugar sem estrelas, e era nítido e bonito de ver a via láctea, onde se concentram a maior parte das estrelas de nosso céu, ia de um horizonte a outro, não era uma noite escura, e sim uma noite iluminada. É engraçado perceber a grandeza da criação de Deus, e a nosso orgulho das nossas criações, tão imperfeitas, limitadas e pequenas. A beleza não é proveniente da mão do homem. Depois do jantar beduíno, eu estava com a barriga cheia, nada melhor do que fazer o que eu fiz, deitei na areia, um pouco afastado, de barriga para cima, olhando as estrelas por um tempão, até a hora que fui para a tenda, senão dormiria por ali mesmo. Uma paz enorme ao encontrar a simplicidade da perfeição.

Agora voltando um pouco no tempo, antes de dormir, após o pôr do sol, estávamos ansiosos pela comida, morrendo de fome, e a comida demorava, e não tínhamos muito o que fazer ali, sem eletricidade. A pouca luz que tínhamos, além das estrelas era de alguns lampiões. Mas então, eu descobri o por quê de alguns beduínos estarem cavando toda hora uma área da areia, como se estivessem abrindo o forno pra ver se o frango estava bom. Era exatamente isso que estavam fazendo! Tentei fotografar mas não saíram as melhores fotos, mas o que aconteceu foi, havia um barril metálico enterrado na areia o dia inteiro, e neste barril estavam muitas batatas, e frango temperadíssimo. Quando pegaram a pá e desenterraram, abriram o barril e tiraram a grelha, minhas papilas gustativas deliraram. Saía uma fumaça gostosa dali, levaram a comida para a tenda, sentamos no chão e comemos numa mesinha que tinha uns 30cm de altura no máximo. Muito bom! Ficamos um bom tempo ainda papeando com os colegas turistas, cada um de um canto do planeta, compartilhando daquele momento inesquecível para cada um de nós. Após as conversas, fiz o que já mencionei no parágrafo anterior, deitado na areia fria da noite do deserto, admirando a imensidão da criação de Deus, e então fui dormir na tenda dos beduínos, no meio do deserto de Wadi Rum, na Jordânia.










sexta-feira, 29 de julho de 2011

Petra - Wadi Musa - Jordânia - Dias 54 e 55

Uma das sete maravilhas do mundo moderno! Mas, como assim? Mundo Moderno? Eu não entendi essa parte. Petra foi eleita uma das maravilhas do mundo moderno, ao lado do Cristo Redentor no Rio de Janeiro (que foi inaugurado em 1931d.C.). Petra, no entanto, é bem mais antiga.

(Embasamento histórico) Vou tentar resumir a história de Petra, só para ambientá-lo na impor(tância deste lugar. Alguns desta região acreditam que a cidade surgiu quando Moisés, no êxodo do Egito, fincou seu cajado na terra e da pedra brotou água, formando um cânion com água corrente no meio do deserto. Muitos crêem que Aarão, o irmão de Moisés (seu interlocutor) foi enterrado em uma das tumbas desta cidade. Estudiosos afirmam que esta é a provável cidade de Selá, citada na Bíblia em 2 Reis 14:7 e Isaías 16:1. Nesta cidade viveram os nabateus por muitos anos, e eles são os responsáveis pelas obras primas esculpidas na rocha, era um povo de comércio, que passava por vários povos, e traziam consigo muita influência, a língua era aramaico, mas há indícios de escritos em latim e grego na cidade. Além de que a arquitetura é uma mistura de arquitetura egípcia, da mesopotâmia e grega. A água abastecia a cidade, vinha em um aqueduto que ficava sempre na sombra e abastecia uma cisterna como uma piscina olímpica no meio da cidade, sempre fresca. Até que depois dos anos 300, um terremoto abalou a região e provocou a escassez da água, o que afastou sua população que chegou a ser de 20mil pessoas.

Então! Estávamos eu e meu pai no carro verde do jordaniano explorador de turistas, indo para a cidade de Wadi Musa, e eu sabia o hostel que queria ir, era o Valentine Inn, e por coincidência o motorista que nos levar bem pra lá, com certeza pra ganhar uma comissão, isso já não foi boa propaganda pro albergue. Mas entramos, achamos um ambiente bem "árabe", ou bem "beduíno" e entramos, afinal eram só 3 Jordanian Pounds por noite por pessoa (ou seja, 20 dólares). Entramos, quarto com uns 8 beliches, um banheiro, a água só era quente em alguns momentos do dia, a porta do banheiro não tinha tranca, o banheiro era grande e o chuveiro longe da porta, não havia cortina, o quarto misturava homem, mulher, velhinhas, japonesas, suecos, etc. Consequência: Resolvi manter a areia do deserto no meu corpo por uns dias. Havia wifi no hotel, ótimo, um ambiente legal para ficar assistindo filmes e conversando, café da manhã e janta. Precisa de mais o que? Ah, claro, a vista do terraço era ótima.






O motorista ainda nos pediu uns 30 dólares só pra nos levar numa mini Petra que havia ali por perto, não aceitamos, claro, saímos andar pela cidade, foi quando comprei o meu turbante. Achei ele ótimo, da cor tradicional da Jordânia, vermelho e branco, como o rei usa, aprendi até técnicas de como usar pra mostrar se sou casado ou solteiro à procura de uma noiva. E ele me foi muito útil para proteger do frio da noite no deserto, e do calor do dia, e do vento. Mas o dia tinha que passar, e não faríamos nada, pois se quiséssemos entrar em Petra, teríamos que pagar o equivalente a 90 euros só pelo dia, impossível, até tentamos barganhar, mas com essa cara de austríaco foi impossível.

Pela noite uma belíssima surpresa, o jantar que imaginei que fosse qualquer coisa, foi um banquete maravilhoso! Poucas vezes comi tanto na vida, a comida árabe é muito boa! Havia fartura de comida na mesa, muita comida mesmo! No quesito alimentação, o melhor albergue de todos! É só olhar na foto! 








Eu comi aquele prato todo (e outro) e subi logo pra deitar pra descansar de tanto comer! E depois fui na sala de TV do albergue, e com meus colegas turistas assistimos ao filme "Indiana Jones - A Última Cruzada" (1989), nada mais adequado, se no outro dia íamos conhecer Petra, um clássico.































No outro dia acordamos cedo e fomos para Petra, desta vez cerca de 50 euros por pessoa, caro mesmo assim. Eu não pensei que era grande o lugar, andamos bastante até chegar no cânion com os aquedutos, que no fim dava no grande Tesouro de Petra, este aqui:










Então, após várias fotos, prosseguimos, vários camelos levando e trazendo pessoas de uma lado pro outro, continuamos a pé, claro. Até que eu descobri uma coisa, olhava pra todos os lados e eu só via tumba, tumba, tumba, descobri que Petra é uma cidade fantasma! Um  cemitério, porque ali não tem casa, só tumbas e mais tumbas. Aí vimos um caminho entre as montanhas e resolvemos subir, dizia na plaquinha: Para local dos sacrifícios. Não imaginava qual o tamanho do sacrifício, sacrifício pra chegar até lá, nossa, que dificuldade, muito alto e distante o lugar, e nós querendo fazer tudo em um só dia. Subimos lá, valeu a pena pela paisagem, e pela graça de ver um francês perdendo o boné por causa do vento, e o vento levando o boné pro penhasco, e o guia descendo todo o penhasco pra pegar o boné, com certeza esperando alguns euros em troca como gorjeta. Obviamente. Olhem uma foto lá de cima:




Descemos, e quando estávamos chegando no começo da subida, eu me divertia olhando a inocência das pessoas, olhando a plaquinha dizendo: "Sacrifício logo ali", e começando a subir felizes, inclusive de uma mocinha sozinha querendo subir. Aí passamos pelo resto da cidade, só tumbas, um palácio destruído no meio da cidade, uma avenida com colunas, parecida com a de Éfeso, e no final da cidade chegamos em um lugar onde começava uma trilha, havia uma plaquinha que dizia: Monastério. Por experiência própria, deduzi que não era "logo ali", e o dia estava se acabando, o sol querendo se pôr, e o parque querendo fechar, mas fomos, claro. Mas pra subir montanha não é muito fácil não, ainda mais logo depois de ter subido uma. Mas conseguimos chegar lá bem quando o sol estava se pondo, foi uma corrida pra conseguir tirar fotos do monastério com o sol caindo no horizonte com tanta rapidez. E então, depois de muitas fotos, voltamos no nosso ritmo rapidinho, competindo com os camelos, por alguns quilômetros toooooda a cidade, todo o caminho novamente, alguns Km, até a entrada do parque. Foi um dia para emagrecer (a janta do outro dia).











Pela noite, comprei mais 2 litros de coca pra aguentar mais um banquete beduíno, delícia, e assistimos outro clássico, bem adequado: Lawrence das Arábias, a história de um soldado ocidental que liderou a revolta árabe. Que viveu esta história no deserto de Wadi Rum, o lugar onde iríamos no outro dia de manhã, para alimentar nossas expectativas. O albergue organizava as saídas para os turistas que quisessem ir para o deserto para dormir num acampamento beduíno, claro que fizemos isto. E a noite foi sonhando com o que seria no dia de amanhã.